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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Atentados à sardinha: pescar com dinamite

Ocorre cada vez com mais frequência em Espanha um dos mais destrutivos métodos de pesca de sardinha: a pesca com Dinamite.
O explosivo é atirado da embarcação de pesca e explode, trazendo à superfície, os cardumes confusos de sardinhas. O peixe está desorientado e concentra-se numa área reduzida onde é fácil recolhê-lo com as redes.
Mas segundo Pablo Carrera do Museo del Mare de Vigo:
“A velocidade de difusão do som é de 1500 metros por segundo. Destrói o ouvido interno da sardinha, onde reside o sentido de equilíbrio e a sua bexiga natatória, que lhe permite controlar a profundidade. Se não fôr capturada acabará por morrer sozinha em poucos dias.”
A onda destrutiva arrasa também o fitoplacton e o zooplancton, base da alimentação de diversas espécies marinhas.
Tendo em conta a amplitude e gravidade da ameaça a polícia espanhola começou a usar cães para cheirar a carga dos navios de pesca, tendo estes respondido com a colocação da dinamite em contentores estanques presos a bóias que localizam por GPS.
A esta história triste, motivada pela infinita ganância do Homem, falta ainda somar um detalhe… Segundo a reportagem do El Mundo:
“Todos os explosivos encontrados em bóias são de fabricação portuguesa. A nossa suspeita é que vem daí. Um das vias de penetração podem ser os barcos que operam na campanha da sardinha no norte de Portugal.”
in El Mundo, 2006

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Sardinha Ibérica

No sábado passado, na loja do Jumbo de Cascais, a diferença entre o preço da sardinha de origem espanhola e a portuguesa causava grande agitação entre os clientes. Toda a gente perguntava porque é que a primeira custava 2,90 euros e a portuguesa 7,90. Sem resposta para as diversas questões da clientela, a simpática funcionária da bancada do peixe disse "Talvez seja porque uma dança sevilhanas e a outra canta o fado."
in Diário de Noticias

Portimão e a pesca da sardinha

(…) Portimão continua a ser, ainda hoje, o terceiro porto sardinheiro do país, atrás de Leixões e Peniche. Mas a actividade está em crise. Não só por causa das políticas restritivas da União Europeia, que têm apoiado mais o abate de embarcações do que a sua modernização, mas também devido ao próprio estado do recurso e à procura que ele tem ou deixa de ter. Carlos Vital revelou que a uma subida quase contínua na tonelagem de sardinha capturada entre 92 e 97, tem-se seguido, nos últimos anos, uma queda acentuada, e "este ano as coisas têm andado particularmente mal". Telmo Gil, em representação da Barlapescas, empresa que controla cerca de 70% da sardinha vendida na lota de Portimão, o que a leva a deter à volta de 20% da cota nacional (e 16% da cota das vendas à indústria conserveira), concorda. "Falta peixe e falta mercado", diz, "por causa da situação das conserveiras". E acrescenta que o pior está ainda por vir. "A Associação Nacional da Indústria Conserveira prevê cortes nas compras já no próximo ano. E nos últimos dois anos, os cortes nas compras ascenderam a cerca de 20 mil toneladas". Quanto ao peixe, o problema não é a ausência, mas sim a qualidade. "Há sardinha", diz Gil, "mas há muita sardinha pequena que não tem valor comercial". É provavelmente uma consequência de um fenómeno que tem vindo a ser estudado pelos cientistas ligados à pesca, relacionado com as medidas de protecção dos recursos que estabeleceram uma determinada malha mínima da rede a fim de não capturar animais demasiado jovens, e deixar que os peixes se reproduzam, mantendo assim o stock. Acontece que aparentemente estas medidas têm tido em várias espécies o efeito perverso de favorecer a sobrevivência dos animais de menores dimensões em detrimento dos maiores, que são pescados em maior quantidade, diminuindo assim a dimensão média dos peixes. Numa analogia canina, é como se durante gerações se fossem matando todos os cães que atingissem um certo tamanho: ao fim de algum tempo só restariam caniches.(…)

in Região Sul